Senado aprova isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil: entenda o impacto prático e fiscal

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O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (5/11), por unanimidade, o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para contribuintes com rendimentos mensais de até R$ 5.000.
O texto segue agora para sanção presidencial e, após aprovação, entrará em vigor em janeiro de 2026.

A medida faz parte de um pacote de reestruturação tributária proposto pelo governo federal para corrigir distorções na tributação sobre a renda, ampliar o poder de consumo das famílias e compensar perdas com a tributação de altas rendas.

 Como fica a nova tabela de isenção

Faixa de rendimento mensal (R$)Situação atual (2025)Nova regra (a partir de jan/2026)Impacto estimado
Até 2.824,00IsentoIsentoMantém-se isento
2.824,01 a 5.000,00Tributado (7,5% a 15%)IsentoRedução total de IR
5.000,01 a 7.350,00Tributado (15% a 22,5%)Desconto progressivoRedução parcial de IR
7.350,01 a 10.000,00Tributado (22,5%)Tributado com base na tabela progressivaMantém tributação
Acima de 10.000,00Tributado (27,5%)Tributado (27,5%)Sem mudança direta

📌 Na prática, cerca de 25 milhões de contribuintes deixarão de pagar IRPF total ou parcialmente a partir de 2026, segundo estimativas da Receita Federal.

Tributação sobre altas rendas

Como compensação fiscal, o projeto institui uma alíquota mínima para rendas anuais superiores a R$ 600 mil e retoma parcialmente a tributação de lucros e dividendos distribuídos a partir de 2026.

Faixa anual de rendimento (R$)Regra anteriorNova regra (2026)Alíquota efetiva / observação
Até 600.000Tabela progressivaTabela progressivaSem alteração
600.001 a 1.200.000Tabela progressivaTributação mínima de 5%Nova incidência mínima
Acima de 1.200.000Tabela progressivaTributação mínima de até 10%Para compensar perdas de IRPF
Dividendos superiores a R$ 50 mil/mêsIsentosTributação de 10% na fonteInclui lucros remetidos ao exterior

 Impacto fiscal em 2026

O governo estima que a ampliação da faixa de isenção e o desconto progressivo gerem redução de R$ 25,4 bilhões na arrecadação em 2026.
Por outro lado, a nova tributação sobre altas rendas e dividendos deve adicionar cerca de R$ 24 bilhões ao caixa da União — sendo R$ 15,2 bilhões vindos da tributação mínima sobre rendas elevadas e R$ 8,9 bilhões da cobrança sobre lucros e dividendos remetidos ao exterior.

Com isso, o efeito líquido estimado é praticamente neutro: uma leve perda de cerca de R$ 1,3 bilhão, considerada fiscalmente administrável e compensada pelo aumento do consumo interno.

 Efeitos Práticos

  • Mais renda disponível: quem ganha até R$ 5 mil deixará de pagar IR (economia média de até R$ 3 mil/ano).
  • Simplificação: menos retenções e ajustes na declaração.
  • Defasagem: senadores alertam que a faixa de R$ 5 mil precisará de atualização periódica para não perder efeito com a inflação

Posição do Senado e próximos passos

O relator, Renan Calheiros (MDB-AL), manteve o texto original da Câmara para garantir a entrada em vigor em 2026 sem necessidade de nova tramitação.
Senadores de diferentes bancadas defenderam a medida como uma correção de distorção histórica: a tabela do IR não era atualizada de forma integral desde 2015.

O presidente Lula deverá sancionar o texto nas próximas semanas, e o governo se comprometeu a enviar até o final de 2026 um projeto que estabeleça critérios automáticos de atualização da tabela do IRPF, evitando novas defasagens.

 Na prática, o que muda para o contribuinte

Perfil do contribuinteSituação em 2025Situação em 2026
Salário de R$ 4.500/mêsPagava IR de 7,5% (aprox. R$ 190/mês)Passará a ser isento
Salário de R$ 6.000/mêsPagava IR de 15% (R$ 430/mês)Pagará IR com desconto progressivo (aprox. R$ 230/mês)
Salário de R$ 9.000/mêsPagava IR de 22,5% (R$ 1.250/mês)Mantém alíquota normal
Dividendos de R$ 100.000/mêsIsentoPassará a pagar 10% de IR na fonte
Renda total de R$ 1.500.000/anoTabela progressiva até 27,5%Tributação mínima efetiva de 10%

Conclusão

A ampliação da isenção para quem ganha até R$ 5 mil é um marco distributivo relevante, mas exigirá atenção à manutenção da neutralidade fiscal e à correção periódica dos valores para evitar nova defasagem da tabela.
A proposta sinaliza um movimento de maior justiça tributária, deslocando parte do ônus das classes médias para rendas e dividendos mais altos, com impacto positivo no consumo interno e modesto custo fiscal agregado.

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