Dia 4 — Mapeamento das Operações na Reforma Tributária: o que ajustar em 2026

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A Ação 4 é uma das mais críticas da série, porque toca no coração da convivência entre o sistema atual e o novo modelo da Reforma: o mapeamento das operações.

E aqui é preciso fazer um esclarecimento essencial:
👉 2026 não é apenas um ano-teste.
É um ano de calibragem bilateral:

  • calibragem do contribuinte,
  • calibragem do ERP,
  • calibragem do RTC,
  • calibragem da Receita Federal e do Comitê Gestor.

O sistema vai “aprender” com as operações reais.
E a empresa também.

Por isso, o mapeamento precisa ser completo, mas com prioridades claras para o início de 2026.

Por que o mapeamento de 2026 define a transição para 2027?

Porque tudo o que a empresa fizer em 2026 (acertos, erros, padrões, divergências) será o material que sustentará:

  • os ajustes do ERP,
  • os ajustes da RFB e do Comitê Gestor,
  • os aprimoramentos do RTC,
  • e principalmente a maturidade operacional da própria empresa para 2027.

É no mapeamento que você identifica:

  • gaps de operação;
  • operações subdocumentadas;
  • riscos contratuais;
  • inconsistências fiscais antigas que vão se revelar no novo sistema;
  • incoerências entre cadastros, benefícios e fluxos;
  • gargalos na cadeia de fornecedores;
  • operações que vão mudar de tratamento no IBS/CBS.

Por isso, 2026 não pode ser tratado como “apenas um ano-teste”:
é o ano em que a empresa se enxerga de verdade.

O que o mapeamento precisa incluir?

Aqui está o ponto que diferencia 2026 de qualquer outro ano:
não basta mapear o “processo padrão”.
É preciso mapear toda a natureza das operações, incluindo as que geralmente passam despercebidas.

1. Cadeia de fornecedores (prioridade absoluta para janeiro)

Quais fornecedores vão gerar impactos imediatos?
Exemplos que precisam estar na mesa desde o dia 1:

  • locação de bens imóveis (precisa de documento fiscal, muda natureza da operação)
  • direitos, licenças e cessões
  • SaaS e serviços contínuos
  • serviços com insumos
  • operações mistas (produto + serviço)
  • fornecedores que sempre erram CFOP, CST, ISS ou PIS/Cofins
  • prestadores de outros estados (regras conflituosas)
  • partes relacionadas – especial atenção aqui

O fornecedor mal preparado compromete o ano inteiro da empresa.

2. Operações estruturais da empresa (mapeamento completo)

Aqui entra o bloco que precisa ser mapeado como 2027, mas executado como 2026:

  • vendas internas e interestaduais
  • importação
  • industrialização
  • remessas/retornos (simbólicos e físicos)
  • consignação
  • transporte e logística
  • serviços próprios
  • serviços tomados
  • operações intra-grupo
  • operações financeiras mascaradas como prestação (ex.: cessões)
  • contratos híbridos

A pergunta-chave aqui é:

Como essa operação será tratada no IBS/CBS em 2027?

Essa resposta orienta a calibragem de 2026.

3. Convivência documental 2026

O mapeamento deve alinhar:

  • CFOP (até 2032)
  • CST atual (ICMS/PIS/Cofins/ISS/IPI)
  • CST IBS/CBS
  • cClasTrib
  • NCM (produtos)
  • NBS (serviços)
  • impactos do IS (se houver)
  • reflexos nos benefícios fiscais dos dois sistemas

Isso não é apenas “organizar códigos”:
é evitar inconsistências que o sistema não vai rejeitar em janeiro, mas que podem gerar riscos, cruzamentos e penalidades mais adiante.

4. Integração sistêmica real

O mapeamento precisa identificar:

  • onde o ERP pode errar leitura,
  • onde as integrações quebram,
  • onde o sistema duplica regra,
  • onde parametrizações antigas entram em conflito com a nova lógica.

Isso não é uma preocupação para 2027.
É para agora — para não travar janeiro.

5. Alinhamento contratual

Toda operação mapeada precisa ser compatível com:

  • faturamento previsto nos contratos,
  • responsabilidade pelo tributo,
  • devoluções, remessas, retornos, bônus, consignações,
  • rateios e operações intra-grupo.

Operação e contrato têm que conversar.

A lógica da Ação 4

A Ação 4 tem três objetivos simultâneos:

  1. Entrar em janeiro sem travamentos
    (mapeamento mínimo, priorização da cadeia de fornecedores).
  2. Garantir calibragem real do sistema durante 2026
    (com cruzamento entre operação, sistema e RTC).
  3. Criar a base do mapeamento definitivo de 2027
    (já olhando para o futuro, sem ter que recomeçar do zero lá na frente).

2026 não é apenas para testar.
É para ajustar, calibrar e consolidar.

E o mapeamento é o eixo dessa consolidação.

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Bruna Kanning

Advogada e consultora tributária com MBA em Gestão Tributária. Acompanha de perto todas as mudanças que a reforma tributária irá trazer para o Brasil.

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