A formação de preço é o ponto em que a Reforma Tributária deixa de ser apenas um tema fiscal e passa a ser uma decisão direta de negócio.
Toda a estrutura atual de preços das empresas foi construída considerando:
- ICMS nas vendas,
- PIS e COFINS na cadeia,
- IPI na indústria,
- ISS nos serviços,
- e benefícios fiscais regionais.
Com a entrada do IBS, da CBS e do IS, essa lógica passa por uma transformação profunda.
Por isso, a Ação 06 da série trata da recalibragem da formação de preço, olhando para:
- a convivência dos dois sistemas em 2026,
- e a virada estrutural para 2027.
1. Por que recalibrar preços já em 2026
Mesmo sem recolhimento efetivo do IBS e da CBS em 2026, os sistemas:
- já irão calcular os novos tributos,
- os documentos fiscais já refletirão essa lógica,
- e as empresas já poderão simular seus impactos reais.
Quem deixar para discutir preço apenas em 2027 corre risco de:
- perda abrupta de margem,
- necessidade de reajustes emergenciais,
- conflitos contratuais,
- desorganização comercial.
2026 é o ano de simular, testar e recalibrar e não de reagir.
2. Recalibragem de preço não é “aumentar tabela”
A Ação 06 não é sobre sair reajustando preços agora.
Ela é sobre:
- entender como o custo se comporta no modelo novo,
- medir o impacto da retirada dos benefícios atuais,
- simular a nova lógica de crédito,
- verificar se a margem se sustenta,
- e preparar ajustes para entrada definitiva em 2027.
A empresa precisa trabalhar, em 2026, com:
- ✅ preço no sistema atual
- ✅ preço simulado no sistema da Reforma
A comparação entre esses dois números é que revela riscos e oportunidades.
3. PONTO DE ATENÇÃO — IBS e CBS entram ou não na base do ICMS e do ISS?
Esse é um dos temas mais sensíveis da transição.
A definição sobre se IBS e CBS integrarão a base de cálculo do ICMS e do ISS durante a convivência dos sistemas impacta diretamente:
- o custo final da operação,
- a carga tributária efetiva,
- a margem de contribuição,
- a formação do preço de venda.
Se houver inclusão na base:
- pode haver efeito cascata temporário,
- aumento imediato de custo,
- pressão direta sobre o preço final.
Se não houver inclusão:
- a transição tende a ser mais neutra no curto prazo,
- mas a recalibragem estrutural seguirá necessária para 2027.
👉 Esse ponto precisa estar mapeado, monitorado e simulado pelas empresas desde agora.
4. Preço líquido + tributos: a nova lógica de negociação
Outro ajuste importante da Ação 06 é cultural e contratual:
As empresas precisam começar a trabalhar cada vez mais com a lógica de
preço líquido + tributos, e não com preço “fechado”.
Isso é fundamental para:
- proteger margens na transição,
- permitir ajustes quando a carga estrutural mudar,
- renegociar contratos com previsibilidade,
- evitar disputas comerciais em 2027.
Quem entrar na nova lógica com contratos “engessados” corre risco direto de perda econômica.
5. O objetivo real da Ação 06
A Ação 06 existe para que a empresa:
- entenda como sua estrutura de custos se comporta no novo sistema,
- simule impactos de IBS e CBS,
- identifique margens em risco,
- prepare renegociações comerciais,
- e construa previsibilidade financeira para 2027.
✅ Resultado esperado
Ao final da Ação 06, a empresa deve saber:
- se seu preço atual se sustenta no novo modelo,
- se IBS e CBS impactam sua base de cálculo,
- quais produtos ou serviços exigirão recalibragem,
- e como estruturar negociações no modelo de preço líquido + tributos.
Se a sua empresa ainda não simulou a formação de preço no modelo do IBS e da CBS, este é o momento de iniciar esse trabalho. Utilize a Ação 06 como ponto de partida para revisar margens, mapear riscos e preparar suas negociações para a transição de 2026 a 2027.


