A Reforma Tributária não é um projeto exclusivo da área fiscal.
Ela atravessa a empresa inteira.
Em 2026, no ano-teste, não basta o Fiscal estar preparado se Compras, Financeiro e TI continuarem operando com a lógica antiga. O resultado disso é conhecido:
- Compras fecha um preço sem considerar a nova tributação,
- o Fiscal descobre depois que a operação foi classificada errado,
- o Financeiro sente o impacto no caixa e na margem,
- e o TI tenta “consertar no sistema”.
A Ação 09 existe justamente para romper esse modelo fragmentado e estruturar o mínimo de integração entre as áreas para que os testes de 2026 sejam confiáveis e sirvam, de fato, para preparar a empresa para 2027.
1. Por que a atuação isolada deixa de funcionar na Reforma
No modelo antigo, muitas empresas conseguiam “ajustar depois”:
- corrigiam uma nota no fechamento,
- compensavam um crédito depois,
- ajustavam preço em uma renegociação futura.
Na lógica do IBS, da CBS e do RTC, isso muda porque:
- os documentos alimentam sistemas automatizados,
- os dados ficam registrados em bases nacionais,
- os cruzamentos são mais rápidos e mais amplos,
- os erros deixam histórico.
Isso significa que o erro que nasce em Compras ou no Financeiro passa a gerar consequência fiscal direta, e não apenas operacional.
2. O papel real de cada área na preparação para 2026
A integração só funciona quando cada área entende exatamente o seu papel.
Compras
Compras não negocia mais apenas “preço bruto”.
Em 2026, precisa considerar:
- estrutura de tributação do fornecedor,
- possibilidade de destaque de IBS e CBS,
- impacto de benefícios fiscais,
- lógica de preço líquido + tributos,
- forma correta de faturamento.
Uma compra mal negociada hoje vira:
- margem perdida amanhã,
- crédito errado depois,
- e conflito contratual na virada de 2027.
Fiscal
O Fiscal deixa de ser apenas “quem apura no fim do mês” e passa a atuar antes da operação acontecer.
Cabe ao Fiscal:
- validar CFOP, NCM e NBS,
- definir CST atual, CST IBS/CBS e cClasTrib,
- analisar benefícios fiscais aplicáveis,
- orientar Compras e Comercial na estrutura da operação,
- validar o recebimento dos documentos.
Financeiro
O Financeiro passa a ter papel estratégico na Reforma.
Em 2026, ele precisa:
- enxergar o impacto do IBS e da CBS no fluxo de caixa,
- entender quando o crédito será efetivo,
- medir quanto do resultado ainda depende de benefício fiscal,
- avaliar sensibilidade de margem,
- acompanhar riscos de descasamento entre preço, tributo e caixa.
Sem isso, a empresa pode até estar “certa no fiscal”, mas quebrar financeiramente.
TI
O TI deixa de ser apenas suporte e vira infraestrutura da Reforma.
Ele precisa garantir que:
- o ERP reflita corretamente as regras definidas pelo Fiscal,
- as validações automáticas estejam ativas,
- os dados de Compras, Fiscal e Financeiro conversem entre si,
- o sistema esteja preparado para conviver com os dois modelos em 2026,
- e, no momento certo, se integre ao ambiente do RTC.
3. Onde os erros mais acontecem quando não há integração
Na prática, os maiores problemas surgem quando:
- Compras negocia sem falar com o Fiscal,
- o Fiscal só vê o problema quando a nota chega,
- o Financeiro descobre o impacto quando o caixa já foi afetado,
- o TI tenta parametrizar sem regra clara.
Isso gera:
- retrabalho constante,
- notas devolvidas fora de prazo,
- créditos glosados,
- divergência entre áreas,
- e insegurança para a tomada de decisão.
4. O que é “integração mínima” na prática (sem burocracia)
A Ação 09 não exige criar comitê, reunião semanal ou estrutura pesada.
Ela exige apenas o mínimo de comunicação estruturada, como por exemplo:
- Compras valida com o Fiscal operações fora do padrão;
- o Fiscal define regras claras de tributação por tipo de operação;
- o Financeiro acompanha os impactos de margem e caixa;
- o TI garante que o sistema respeite essas regras.
Em empresas pequenas, isso pode acontecer em uma única pessoa acumulando funções.
Em empresas maiores, isso precisa virar fluxo entre áreas.
5. Conexão direta com as Ações anteriores
A Ação 09 amarra tudo o que veio antes:
- Ação 05 → benefícios fiscais
- Ação 06 → formação e recalibragem de preço
- Ação 07 → contratos e obrigações documentais
- Ação 08 → recebimento e conferência de notas
Se as áreas não estiverem integradas, nenhuma dessas ações se sustenta sozinha.
6. O objetivo real da Ação 09
A Ação 09 existe para que a empresa:
- evite decisões isoladas,
- reduza retrabalho na transição,
- tenha testes confiáveis em 2026,
- conecte tributação com resultado,
- e transforme a Reforma em um projeto transversal, e não apenas fiscal.
✅ Resultado esperado da Ação 09
Ao final desta etapa, a empresa deve ter:
- comunicação mínima entre Compras, Fiscal, Financeiro e TI,
- regras claras de tributação por tipo de operação,
- impacto financeiro monitorado,
- sistema alinhado às regras fiscais,
- e decisões mais seguras para a transição de 2027.
Na Reforma Tributária, não basta cada área fazer “bem a sua parte”.
Ou a empresa trabalha de forma integrada, ou o erro de uma área compromete o resultado de todas.


