Dia 13 — Integração e Parametrização do ERP na Reforma Tributária: por que as regras do sistema atual não servem para IBS e CBS

Compartilhe:

WhatsApp
Telegram
Facebook
LinkedIn
Email

Um dos maiores equívocos na preparação para o ano-teste da Reforma Tributária é partir da seguinte premissa:

“Vamos pegar a parametrização atual de ICMS, PIS, COFINS e IPI e adaptar para IBS e CBS.”

Essa lógica não funciona.

A Ação 13 existe justamente para corrigir esse erro conceitual antes que ele vire erro sistêmico em 2026.

1. Dois sistemas, duas lógicas de parametrização

No modelo atual, o ERP foi construído para operar com tributos que têm:

  • hipóteses de incidência distintas,
  • cumulatividade parcial,
  • benefícios pulverizados,
  • regimes estaduais e municipais,
  • regras de crédito condicionadas,
  • e forte dependência de CFOP e exceções.

Já o IBS e a CBS partem de outra lógica estrutural:

  • base ampla de incidência,
  • não cumulatividade plena (crédito financeiro),
  • benefícios concentrados na Constituição e na LC 214,
  • menor dependência de exceções operacionais,
  • foco na natureza econômica da operação,
  • e rastreabilidade via RTC.

👉 Isso significa que a parametrização não pode ser “espelhada”.

2. O erro mais comum: tentar parametrizar o IBS/CBS como ICMS/PIS/COFINS

Na prática, muitas empresas estão tentando:

  • usar a mesma regra de ICMS para IBS,
  • tratar CBS como “novo PIS/COFINS”,
  • aplicar lógica de benefício estadual ao IBS,
  • reaproveitar exceções antigas no novo sistema.

Esse caminho gera:

  • códigos incompatíveis,
  • leitura errada do ERP,
  • cálculo distorcido,
  • testes inválidos no ano-teste,
  • e dados contaminados no RTC.

O sistema até “funciona”.
Mas funciona errado.

3. O que precisa mudar na forma de pensar a parametrização

A Ação 13 exige uma mudança de mentalidade:

Sistema atual

A parametrização responde a perguntas como:

  • É ICMS ou ISS?
  • Tem benefício estadual?
  • Tem exceção de CFOP?
  • É cumulativo ou não?

Novo sistema (IBS/CBS)

A parametrização precisa responder a outras perguntas:

  • Qual é a natureza econômica da operação?
  • É circulação, prestação, direito ou serviço?
  • Há direito a crédito financeiro?
  • Existe benefício constitucional aplicável?
  • Qual o tratamento no RTC?

👉 São perguntas diferentes. Logo, regras diferentes.

4. Pontos do ERP que precisam ser parametrizados em “camadas”

Durante o ano-teste, o ERP precisa operar com duas camadas de lógica:

  1. Camada do sistema atual
    ICMS, PIS, COFINS, IPI e ISS continuam existindo, com suas regras próprias.
  2. Camada do novo sistema
    IBS, CBS e IS precisam ser parametrizados com regras independentes, mesmo convivendo no mesmo documento.

Misturar essas camadas é um dos maiores riscos de 2026.

5. O que deve ser validado especificamente na parametrização do IBS e da CBS

A empresa precisa validar, separadamente:

  • leitura correta de CST IBS/CBS,
  • uso adequado do cClasTrib,
  • formação da base de cálculo própria,
  • tratamento do destaque (documental ≠ recolhimento),
  • vínculo entre operação e direito a crédito,
  • reflexos no financeiro e no RTC.

Nada disso pode ser inferido a partir da regra antiga.

6. Por que essa validação precisa acontecer antes de janeiro

Se a empresa entra em 2026 com:

  • ERP parametrizado apenas com lógica antiga,
  • regras novas “adaptadas”,
  • sem validação específica do IBS/CBS,

ela passa o ano inteiro testando um sistema que não representa o modelo real da Reforma.

E o ano-teste perde completamente o sentido.

7. Conexão direta com as ações anteriores

A Ação 13 só funciona se estiver alinhada com:

  • Ação 2 → cadastros corretos
  • Ação 4 → mapeamento de operações para 2026
  • Ação 6 → glossário de códigos
  • Ação 8 → operações de risco
  • Ação 10 → controle de erros silenciosos

Sem isso, o ERP executa erro com eficiência.

Objetivo real da Ação 13

A Ação 13 existe para garantir que:

  • a empresa não replique regras antigas no novo sistema,
  • o ERP opere com duas lógicas distintas de forma consciente,
  • os testes de 2026 reflitam a Reforma de verdade,
  • o RTC seja alimentado com dados coerentes,
  • e a transição para 2027 não seja construída sobre premissas erradas.

Resultado esperado da Ação 13

Ao final dessa etapa, a empresa deve ter:

  • clareza de que IBS/CBS não são “ICMS/PIS/COFINS novos”,
  • parametrização separada e validada,
  • identificação dos pontos onde o ERP precisa de ajuste,
  • testes confiáveis no ano-teste,
  • base sistêmica compatível com o novo modelo.

Na Reforma Tributária, o erro mais perigoso não é o erro técnico.
É o erro conceitual.

E nenhum ERP corrige um erro de conceito sozinho.

Nossa equipe está pronta para ajudá-lo a navegar pelas mudanças complexas da Reforma Tributárias e garantir que sua empresa não apenas sobreviva, mas prospere nesse novo cenário tributário.

Se você tem interesse pelo tema, acompanha nossos conteúdos, convido você a conhecer a nossa Newsletter.

Conheça nossa Consultoria empresarial com foco em estratégias de crescimento, eficiência operacional e gestão de riscos. Trabalhamos lado a lado com nossos clientes para identificar oportunidades e implementar soluções que gerem valor sustentável.

Compartilhe:

WhatsApp
Telegram
Facebook
LinkedIn
Email

Bruna Kanning

Advogada e consultora tributária com MBA em Gestão Tributária. Acompanha de perto todas as mudanças que a reforma tributária irá trazer para o Brasil.

Artigos Relacionados

Principais Tópicos

Fale conosco

Entre em contato com a equipe do Reforma Tributária 360°e conheça as nossas soluções em Consultoria Tributária. Insira suas informações.

☑ Ao inserir o seu email, você concorda com as nossas Políticas de Privacidade e Termos de Uso.

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors