Dia 14 — Leitura da Formação de Preços no Ano-Teste da Reforma Tributária: entender a margem antes que ela seja pressionada

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Um dos maiores equívocos na preparação para a Reforma Tributária é tratar 2026 como um ano de mudança de preços.
Em regra, não é.

O ano-teste não exige reajuste, renegociação comercial ou repasse de carga tributária.
Mas exige algo igualmente estratégico: entender como o preço atual se comporta quando lido sob a lógica do IBS e da CBS.

A Ação 14 trata exatamente disso.
Não é uma ação comercial. É uma ação analítica, técnica e preparatória.

1. O que a Ação 14 não é (e isso precisa ficar claro)

A Ação 14 não é:

  • revisão de tabela de preços
  • aumento ou redução de valores
  • repasse de tributos ao cliente

Qualquer movimento nesse sentido, em 2026, tende a ser precipitado.

A Ação 14 é sobre leitura e compreensão, não sobre decisão.

2. O verdadeiro objetivo da Ação 14

O objetivo é permitir que a empresa responda, com dados e não com suposições, perguntas como:

  • Como o meu preço atual se decompõe no novo sistema tributário?
  • Quanto da minha margem hoje depende de benefícios fiscais que não existirão no IBS/CBS?
  • O ERP está tratando IBS e CBS como destaque documental ou como custo?
  • O comportamento da margem se mantém ou se altera quando aplico a lógica do novo sistema?
  • Onde estão os produtos, serviços ou contratos mais sensíveis à transição?

Sem essa leitura, 2027 vira surpresa.
Com essa leitura, 2027 vira planejamento.

3. Por que isso precisa ser feito em 2026 (e não depois)

Porque 2026 é o único momento em que a empresa pode:

  • simular o novo sistema sem impacto financeiro direto
  • observar o comportamento da margem com dados reais
  • testar o ERP sem pressão de resultado
  • identificar distorções causadas por benefícios atuais
  • ajustar parametrizações antes que elas tenham efeito econômico

Em 2027, qualquer erro já terá impacto direto no caixa.

4. O que precisa ser analisado na prática (checklist técnico)

A leitura da formação de preços no ano-teste deve considerar, no mínimo:

a) Estrutura atual do preço

  • preço bruto
  • tributos atuais incidentes
  • benefícios fiscais aplicados
  • margem operacional efetiva

b) Leitura do preço no novo sistema

  • aplicação da lógica de IBS e CBS
  • tratamento do crédito financeiro
  • ausência ou presença de benefícios equivalentes
  • efeito do destaque documental

c) Margem

  • margem “real” sem benefício
  • margem dependente de incentivo
  • sensibilidade por produto, serviço ou operação

d) Sistema

  • se o ERP reflete corretamente essa decomposição
  • se IBS/CBS não estão sendo absorvidos como custo
  • se a base de cálculo está coerente com a nova lógica

5. Um ponto crítico: IBS e CBS não podem ser tratados como ICMS ou PIS/COFINS

Essa análise só é válida se a empresa compreender um ponto central:

IBS e CBS não seguem a mesma lógica de formação dos tributos atuais.

Eles partem de:

  • base ampla
  • não cumulatividade plena
  • crédito financeiro
  • Calculo por fora
  • benefícios concentrados na Constituição e na LC 214

Se o ERP estiver “adaptando” regras antigas para o novo sistema, a leitura da margem será artificial.

Por isso, a Ação 14 depende diretamente da validação sistêmica tratada na Ação 13.

6. Impacto dos benefícios fiscais na leitura da margem

Um dos principais ganhos da Ação 14 é expor dependências invisíveis.

Muitas empresas só percebem em 2027 que:

  • parte relevante do resultado vinha de benefício fiscal
  • a margem “operacional” era, na verdade, margem incentivada
  • a retirada do incentivo altera completamente o equilíbrio econômico

A leitura em 2026 permite:

  • identificar essa dependência
  • mensurar o impacto potencial
  • preparar alternativas com antecedência

7. Relação com contratos e política comercial

A Ação 14 ajuda a:

  • identificar contratos com risco de desequilíbrio futuro
  • mapear clientes mais sensíveis à mudança
  • entender onde a política comercial precisará evoluir em 2027
  • renegociar contratos de longo prazo prevendo a necessidade de reequilibrio econômico financeiro.

Isso permite que a empresa antecipe conversas, em vez de reagir sob pressão.

8. O que acontece se a empresa pular essa etapa

Na prática, ela entra em 2027:

  • sem entender sua margem real
  • sem clareza do impacto da Reforma
  • reagindo a números que aparecem de uma vez
  • com pouco espaço de negociação
  • e com decisões tomadas sob urgência

A Ação 14 evita exatamente esse cenário.

9. Mensuração e comunicação: o que Google, Meta e grandes players já estão fazendo

Algumas empresas globais, como Google e Meta, já começaram a comunicar seus clientes que, em breve, os documentos fiscais passarão a destacar IBS e CBS, com cobrança por fora do preço contratado.

Esse movimento é extremamente relevante, não porque todas as empresas devam fazer o mesmo agora, mas porque ele evidencia um ponto central da Reforma Tributária: a forma como o tributo aparece no documento e é comunicado ao cliente passa a ser parte estratégica da operação.

Essas empresas estão deixando claro, com antecedência, que:

  • o preço do serviço permanece,
  • os tributos passam a ser destacados de forma mais transparente,
  • e a relação entre preço, tributo e valor final muda na leitura do cliente.

Isso mostra que mensuração e comunicação caminham juntas.

Objetivo real da Ação 14

A Ação 14 existe para que a empresa:

  • entenda o comportamento do preço no novo sistema
  • identifique pontos de sensibilidade da margem
  • valide se o ERP está refletindo a realidade
  • enxergue dependências de benefícios fiscais
  • se prepare para decisões conscientes em 2027

Sem mudar preço.
Sem impacto imediato.
Com visão estratégica.

Resultado esperado da Ação 14

Ao final dessa etapa, a empresa deve ter:

  • clareza sobre como o preço atual se comporta no IBS/CBS
  • visão realista da margem sem incentivos
  • lista de produtos/serviços sensíveis
  • simulações confiáveis no ERP
  • base sólida para planejamento futuro

Quem entende a margem antes da mudança decide melhor depois da mudança.

Nossa equipe está pronta para ajudá-lo a navegar pelas mudanças complexas da Reforma Tributárias e garantir que sua empresa não apenas sobreviva, mas prospere nesse novo cenário tributário.

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Bruna Kanning

Advogada e consultora tributária com MBA em Gestão Tributária. Acompanha de perto todas as mudanças que a reforma tributária irá trazer para o Brasil.

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