Ao se aproximar de 2026, muitas empresas estão concentrando seus esforços em ajustes internos: cadastros, ERP, processos, treinamento de equipes.
Isso é essencial — mas não suficiente.
No ano-teste da Reforma Tributária, boa parte dos riscos não nasce dentro da empresa, mas entra pela porta dos documentos recebidos.
E, na prática, isso significa fornecedores.
A Ação 15 trata exatamente disso: revisar o cadastro e o padrão de emissão dos fornecedores críticos, para garantir que o ano-teste seja alimentado com informações minimamente confiáveis.
1. Por que fornecedores se tornam um ponto sensível em 2026
No modelo atual, muitos erros de fornecedor são “corrigidos depois” ou neutralizados por regras de sistema.
Em 2026, esse amortecedor diminui.
Com:
- convivência entre dois sistemas tributários,
- novos campos documentais (IBS, CBS, IS),
- ausência de rejeição automática em várias situações,
- maior rastreabilidade de dados (RTC),
uma nota fiscal recebida errada, mas aceita, passa a ter efeitos reais:
- alimenta parametrizações incorretas,
- distorce simulações,
- contamina relatórios,
- gera leitura equivocada de custo e margem,
- cria risco para 2027.
Por isso, revisar fornecedores não é “conferência básica”.
É controle de qualidade do ano-teste.
2. Quem são os fornecedores críticos (e quem não são)
A Ação 15 não exige revisar todos os fornecedores.
O foco deve estar naqueles que:
- concentram maior volume financeiro,
- fornecem insumos estratégicos,
- prestam serviços recorrentes,
- operam com benefícios fiscais,
- realizam operações complexas (industrialização, locação, direitos, serviços mistos),
- impactam diretamente custo, crédito ou margem,
- historicamente emitem documentos com inconsistências.
Esses fornecedores são os que mais influenciam o comportamento do ERP e da operação.
3. O que precisa ser revisado no cadastro dos fornecedores críticos
A revisão não é apenas cadastral — é operacional e documental.
a) Dados básicos
- CNPJ e situação cadastral
- endereço correto
- regime tributário informado
- natureza da atividade exercida
Erros aqui se refletem diretamente na emissão e recepção dos documentos.
b) Tipo de operação realizada
É essencial identificar com clareza se o fornecedor presta:
- fornecimento de produto,
- prestação de serviço,
- locação de bens,
- cessão de direitos,
- industrialização por encomenda,
- serviços contínuos ou recorrentes,
- operações mistas.
Essa identificação influencia diretamente:
- NCM ou NBS,
- CST atual e CST IBS/CBS,
- cClasTrib,
- leitura do crédito no novo sistema.
c) Classificação fiscal utilizada
- NCM correta para produtos
- NBS adequada para serviços
- coerência entre classificação e operação real
Classificação incorreta não é detalhe: ela distorce toda a lógica do IBS e da CBS.
d) Padrão de emissão de documentos
A empresa precisa saber:
- como o fornecedor emite hoje,
- se costuma corrigir quando há erro,
- se emite corretamente operações especiais,
- se está ciente da necessidade de destaque de IBS e CBS em 2026,
- se entende que destaque não significa recolhimento imediato.
Fornecedores despreparados tendem a gerar ruído constante no ano-teste.
4. Um ponto central: o fornecedor também está em fase de adaptação
A Ação 15 não tem caráter punitivo.
Ela tem caráter preventivo e comunicacional.
Assim como a empresa, muitos fornecedores:
- ainda estão entendendo a Reforma,
- ainda não ajustaram sistemas,
- ainda confundem destaque com recolhimento,
- ainda replicam lógicas antigas.
Por isso, essa ação também serve para:
- alinhar expectativas,
- definir critérios mínimos de aceite documental,
- antecipar problemas que surgiriam apenas em 2026.
5. O que fazer quando o fornecedor não está preparado
A Ação 15 permite classificar fornecedores em níveis de risco, por exemplo:
- baixo risco: fornecedor preparado, documenta corretamente
- médio risco: exige acompanhamento mais próximo
- alto risco: histórico de erro, operação sensível, impacto relevante
Isso ajuda a empresa a decidir:
- quando exigir correção imediata,
- quando aceitar com ressalva,
- quando intensificar conferência,
- quando ajustar processos internos para mitigar risco.
6. Conexão com as ações anteriores da série
A Ação 15 se conecta diretamente com:
- Ação 2 — cadastros essenciais
- Ação 8 — operações de maior risco
- Ação 10 — erros silenciosos
- Ação 13 — parametrização do ERP
- Ação 14 — leitura da margem
Fornecedor errado → documento errado → sistema errado → teste inválido.
7. O que acontece se essa ação for ignorada
Na prática, a empresa entra em 2026:
- aceitando documentos inconsistentes,
- simulando com dados distorcidos,
- corrigindo problemas tarde demais,
- atribuindo erro ao sistema quando a origem era externa,
- acumulando risco operacional para 2027.
A Ação 15 evita exatamente esse efeito cascata.
Objetivo real da Ação 15
A Ação 15 existe para:
- proteger o ano-teste de erros externos,
- garantir qualidade mínima dos dados recebidos,
- reduzir retrabalho e correções futuras,
- aumentar a confiabilidade das simulações,
- preparar a empresa para a virada definitiva do sistema.
Resultado esperado da Ação 15
Ao final dessa etapa, a empresa deve ter:
- lista clara de fornecedores críticos,
- cadastro revisado e coerente,
- critérios objetivos de aceite documental,
- comunicação alinhada com parceiros estratégicos,
- base mais segura para operar 2026.
Na Reforma Tributária, não basta fazer certo dentro de casa.
É preciso garantir que o que entra pela porta também esteja minimamente correto.
O ano-teste só funciona quando os dados fazem sentido.


