Depois de mapear operações, revisar cadastros, ajustar fluxos, contratos e operações intragrupo, surge uma pergunta inevitável:
Como saber, na prática, se o ano-teste está funcionando?
A Ação 18 responde a isso.
Ela não trata de sistema novo, nem de mais uma obrigação.
Trata de criar um painel mínimo de acompanhamento do ano-teste, capaz de transformar o dia a dia operacional em informação estratégica.
1. Por que o ano-teste exige acompanhamento contínuo
2026 não é apenas um período de adaptação normativa.
É um ano de calibragem simultânea:
- do sistema da Receita Federal,
- do Comitê Gestor do IBS,
- e da própria empresa.
Se a empresa não acompanha o que está acontecendo:
- os erros se repetem,
- os ajustes não são priorizados,
- a parametrização evolui de forma desordenada,
- e o aprendizado do ano-teste se perde.
O painel existe para dar visibilidade ao que o sistema sozinho não mostra.
2. O erro mais comum: confiar apenas no ERP
O ERP registra:
- documentos emitidos,
- dados processados,
- informações estruturadas.
Mas ele não explica:
- por que houve erro,
- se o erro foi pontual ou recorrente,
- se é falha de cadastro, contrato, processo ou sistema,
- se o problema é interno ou de terceiros.
O painel do ano-teste não substitui o ERP.
Ele complementa o ERP com leitura crítica.
3. O que é um “painel mínimo” (e o que ele não é)
O painel da Ação 18:
- não é BI sofisticado,
- não exige ferramenta complexa,
- não depende de tecnologia nova.
Ele é um instrumento de governança operacional.
Seu papel é simples:
mostrar onde o sistema está falhando, por quê e com que impacto.
4. O que esse painel precisa acompanhar em 2026
No mínimo, o painel deve consolidar informações como:
a) Inconsistências documentais
- notas emitidas com erro,
- documentos substituídos ou cancelados,
- divergência entre operação real e documento fiscal,
- falhas recorrentes de preenchimento.
b) Pendências operacionais
- documentos aguardando correção,
- informações incompletas,
- ajustes ainda não implementados,
- dependência de terceiros (clientes ou fornecedores).
c) Origem dos erros
- cadastro,
- contrato,
- parametrização,
- falha humana,
- interpretação incorreta da regra.
d) Frequência
- erro pontual,
- erro recorrente,
- erro sistêmico.
Essa distinção é essencial para priorizar ajustes.
5. Indicadores simples que fazem diferença
Alguns exemplos de indicadores úteis no ano-teste:
- número de documentos com inconsistência por semana,
- tempo médio de correção,
- operações mais problemáticas,
- fornecedores ou clientes com maior índice de erro,
- áreas internas mais impactadas,
- erros já corrigidos vs. erros reincidentes.
Não se trata de “medir tudo”, mas de medir o que ajuda a decidir.
6. A relação da Ação 18 com as ações anteriores
O painel é o ponto de conexão da série:
- Ação 10 — erros que não geram rejeição automática
- Ação 12 — quem é responsável por corrigir
- Ação 13 — falhas de parametrização
- Ação 15 — documentos de terceiros
- Ação 16 — controle de pendências
- Ação 17 — operações intragrupo
Sem um painel, essas ações ficam soltas.
Com o painel, elas se conversam.
7. Por que esse painel prepara a empresa para 2027
Em 2027:
- o impacto financeiro passa a existir,
- erros deixam de ser “teste”,
- ajustes tardios custam mais.
O painel de 2026 permite:
- corrigir antes da virada,
- priorizar investimentos em sistema,
- ajustar processos com base em dados,
- chegar em 2027 com histórico, não com achismo.
8. O papel do fiscal aqui
No ano-teste, o fiscal deixa de ser apenas executor.
Ele passa a ser o leitor do sistema.
É o fiscal quem:
- interpreta os dados,
- identifica padrões,
- traduz erro operacional em risco,
- orienta ajustes entre áreas.
O painel dá ao fiscal instrumento de liderança, não só de conferência.
Objetivo real da Ação 18
A Ação 18 existe para:
- transformar erro em dado,
- dado em decisão,
- decisão em ajuste real.
Sem acompanhamento, o ano-teste vira rotina.
Com acompanhamento, ele vira estratégia.
Resultado esperado
Ao final dessa etapa, a empresa deve ter:
- visão clara do que está funcionando e do que não está,
- capacidade de priorizar ajustes,
- integração real entre áreas,
- base concreta para a virada de 2027,
- governança prática do ano-teste.
O ano-teste não falha por excesso de erro.
Ele falha por falta de leitura do erro.
Criar um painel mínimo é garantir que 2026 deixe aprendizado e não apenas volume de dados.


