Depois de organizar operações, cadastros, fluxos, contratos e acompanhamento interno, chega um momento essencial da preparação para o ano-teste:
olhar para quem está do outro lado da nota fiscal.
A Ação 19 trata da revisão dos cadastros de clientes, com foco direto no faturamento de 2026 e na convivência entre o sistema atual e o novo sistema da Reforma Tributária.
1. Por que o cadastro de clientes ganha peso no ano-teste
No modelo atual, muitos cadastros de clientes:
- foram criados há anos,
- nunca passaram por revisão crítica,
- funcionam “porque sempre funcionaram”.
No contexto do ano-teste, isso não é suficiente.
Em 2026:
- o documento fiscal passa a carregar mais informações,
- o tratamento tributário depende do perfil do destinatário,
- a leitura da operação passa a ser mais detalhada,
- erros de cadastro distorcem testes e simulações.
O problema não é apenas emitir errado, mas testar errado.
2. O que muda na lógica de olhar o cliente em 2026
O cadastro deixa de ser apenas:
- nome,
- CNPJ,
- endereço.
Ele passa a influenciar:
- o tipo de documento emitido,
- o tratamento tributário aplicado,
- a leitura da operação pelo sistema,
- a convivência entre ICMS/ISS e IBS/CBS,
- a consistência das informações no RTC.
Ou seja: cliente mal cadastrado compromete todo o teste.
3. O que precisa ser revisado nos cadastros de clientes
A Ação 19 exige uma revisão objetiva dos seguintes pontos:
a) Identificação básica
- razão social e CNPJ validados,
- endereço correto e atualizado,
- UF e município consistentes.
b) Perfil do cliente
- contribuinte ou não contribuinte,
- consumidor final ou intermediário,
- pessoa jurídica ou pessoa física,
- regime tributário (quando aplicável).
c) Forma de faturamento
- faturamento direto ou via intermediário,
- marketplace ou venda direta,
- faturamento centralizado ou descentralizado,
- operações recorrentes x eventuais.
d) Relação com a operação
- tipo de produto ou serviço adquirido,
- natureza da operação mais comum,
- existência de contratos vinculados,
- prazos e condições relevantes para o documento.
4. Por que isso impacta diretamente o ano-teste
Se o cadastro estiver errado:
- a regra tributária aplicada será inadequada,
- o documento emitido não refletirá a operação real,
- os testes do novo sistema ficam distorcidos,
- o painel do ano-teste perde confiabilidade.
Em 2026, o erro não é apenas operacional.
Ele é estrutural.
5. Atenção especial a clientes “não padrão”
A Ação 19 deve dar atenção redobrada a clientes como:
- marketplaces,
- plataformas digitais,
- clientes do exterior,
- entes públicos,
- consumidores finais recorrentes,
- clientes com regimes específicos.
Esses perfis tendem a concentrar:
- exceções,
- regras específicas,
- maior risco de inconsistência documental.
6. A ligação da Ação 19 com ações anteriores
Essa etapa se conecta diretamente com:
- Ação 2 — revisão de cadastros essenciais
- Ação 3 — fluxo mínimo de conferência
- Ação 6 — glossário de códigos fiscais
- Ação 14 — leitura de margem e comunicação
- Ação 18 — painel do ano-teste
Sem cadastro de cliente confiável, nenhuma dessas ações se sustenta.
Objetivo real da Ação 19
A Ação 19 existe para:
- garantir coerência entre cliente, operação e documento,
- reduzir erros recorrentes no faturamento,
- melhorar a qualidade dos testes de 2026,
- preparar a empresa para decisões de 2027,
- dar previsibilidade à transição.
Resultado esperado
Ao final dessa etapa, a empresa deve ter:
- cadastros de clientes revisados e confiáveis,
- perfis corretamente identificados,
- menor índice de erro no faturamento,
- testes mais consistentes do IBS e da CBS,
- base sólida para o novo sistema.
Na Reforma Tributária, não basta saber o que se vende.
É preciso saber para quem se vende.
Revisar cadastros de clientes em 2026 é garantir que o sistema aprenda certo antes que o erro custe caro.


