A reforma tributária não é só sobre números: é sobre pessoas

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Nas últimas semanas, trabalhando com empresas na fase de implementação da reforma tributária, ficou ainda mais claro para mim que o maior desafio não é a lei em si. O verdadeiro desafio é como traduzir essa lei em prática dentro de uma organização. E essa tradução só acontece através das pessoas.

A reforma tributária, para mim, é como subir um morro em uma trilha — e eu adoro uma trilha, então essa imagem faz todo sentido. No começo, o ritmo é difícil de pegar. Cada pessoa caminha em uma velocidade diferente. Depois de um tempo, parece que você entra no fluxo, mas quando chega perto do topo, a parte mais difícil ainda está por vir: você já está cansado e é justamente ali que o terreno fica mais íngreme. Esse é o final do período de transição da reforma.

E assim como em uma boa trilha, a implementação só acontece de forma bem-sucedida se:

  • o trajeto for mapeado,
  • o processo se adaptar às adversidades do caminho,
  • e, especialmente, se as pessoas estiverem engajadas e caminhando juntas.

É exatamente isso que temos vivido: a reforma não é sobre tributos, mas sobre o caminho que a empresa percorre para se adaptar a eles.

Liderança: o pilar invisível da implementação

Quando falamos em liderança nesse contexto, não estamos falando de hierarquia, de “quem manda”. Estamos falando da capacidade de conduzir pessoas em um processo de transformação que naturalmente gera desconforto.

A liderança na reforma tributária exige três posturas fundamentais:

  1. Traduzir o técnico para o humano O líder é ponte. Ele precisa ouvir o tributarista, entender o impacto da regra, e depois traduzir isso em algo que faça sentido para o time. É saber falar de crédito, de fluxo de caixa ou de códigos fiscais em uma linguagem que quem está no chão da empresa entenda.
  2. Dar direção sem sufocar Liderar não é entregar todas as respostas prontas, mas também não é largar a equipe no escuro. É traçar o caminho e deixar espaço para que as pessoas descubram como percorrê-lo com segurança.
  3. Criar cultura de responsabilidade compartilhada A reforma não pode ser um “problema do fiscal”. O líder precisa reforçar que cada área tem um papel. Quando compras entende o impacto da sua atividade, quando vendas se responsabiliza pela formação de preço correta, quando TI garante que o sistema está preparado, a empresa como um todo caminha junta.

Mais do que gestão, é liderança de mudança. Isso significa dar clareza, mas também inspirar confiança para que as pessoas caminhem mesmo diante da incerteza.

Ajustar a linguagem para criar conexão

Uma das primeiras tarefas da liderança é ajustar a forma de comunicar. O vocabulário técnico que faz sentido para o tributarista pode gerar bloqueio em outras áreas. Explicar “não cumulatividade” não significa nada para quem está no setor de compras, mas explicar que “a forma como você registra essa nota vai impactar diretamente no crédito da empresa” muda completamente a forma como a pessoa enxerga o seu papel.

Ou seja: é preciso falar na língua de cada área. Comunicação eficiente em implementação significa adaptar o conteúdo para o público.

Comunicação contínua e aplicabilidade prática

Outro ponto essencial é a constância. Não adianta explicar uma vez em uma reunião e esperar que todo mundo memorize. A liderança precisa criar um processo de comunicação recorrente, que envolva reforço, exemplos e materiais de apoio.

Alguns exemplos práticos que têm funcionado:

  • Compras: criar um guia simples com os novos cuidados no cadastro de fornecedores e nos documentos fiscais recebidos. Mostrar que um erro aqui pode significar perda de crédito do IBS.
  • Vendas: realizar treinamentos rápidos sobre como precificar já considerando os efeitos da CBS e IBS. Simulações ajudam muito.
  • Produção e logística: alinhar quais informações precisarão ser registradas de forma diferente para garantir rastreabilidade exigida na nova sistemática.
  • TI: manter um canal aberto para traduzir as exigências legais em requisitos de sistema, evitando falhas na parametrização.
  • Contabilidade/fiscal: criar checklists de conferência adaptados à transição, destacando os pontos mais críticos (NBS, créditos, novos layouts).

Essas ações não precisam ser complexas. Muitas vezes, o simples funciona melhor: uma folha na parede com lembretes-chave, um treinamento de 20 minutos, uma planilha de apoio compartilhada. O importante é que a informação circule de forma clara, prática e constante.

Segurança e adaptação

Toda mudança gera insegurança. As pessoas vão errar, vão duvidar, vão sentir medo de não estar preparadas. Liderar é criar um espaço seguro, onde dúvidas podem ser feitas e onde ajustes são vistos como parte do processo — não como falhas.

Além disso, a liderança precisa entender que a reforma não é um evento único. Ela será ajustada ao longo dos anos. É uma transição. Preparar a equipe para se adaptar continuamente é fundamental para que a empresa não se desgaste no caminho.

Conclusão

A reforma tributária muda o modelo de tributação, mas o sucesso da sua implementação depende de liderança, clareza e da capacidade de engajar pessoas no percurso.

Porque no fim, a reforma não é só sobre tributos. Ela é sobre como vamos caminhar juntos nessa trilha.

E é justamente para preparar líderes, equipes fiscais, contábeis e tributárias para esse caminho que vamos realizar a Imersão em Reforma Tributária no dia 19/09, das 8h às 12h.Um encontro prático, focado em questões práticas e estratégicas, para que sua empresa não apenas entenda a lei, mas saiba como implementá-la de forma eficiente.

Participe: https://reformatributaria360.com.br/imersao-reforma-tributaria/

Nossa equipe está pronta para ajudá-lo a navegar pelas mudanças complexas da Reforma Tributárias e garantir que sua empresa não apenas sobreviva, mas prospere nesse novo cenário tributário.

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Bruna Kanning

Advogada e consultora tributária com MBA em Gestão Tributária. Acompanha de perto todas as mudanças que a reforma tributária irá trazer para o Brasil.

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