A maior dificuldade da Reforma Tributária não está nos cálculos, nas alíquotas ou no ERP.
Está nas pessoas que operam processos que foram construídos ao longo de 20 anos.
E em 2026, essas pessoas terão de conviver com:
- regras atuais (ICMS, IPI, PIS, COFINS, ISS),
- regras novas (IBS, CBS e IS),
- códigos duplos (CST atual e CST IBS/CBS + cClasTrib),
- documentos coexistindo,
- operações que mudam de tratamento,
- ausência de rejeição automática,
- e testes que alimentam o RTC.
A pergunta é: como garantir que fiscais, compradores, vendedores, faturistas, financeiro e TI consigam operar tudo isso sem colapsar?
A resposta é o Treinamento Estruturado para Janeiro — a Ação 11.
Mas esse treinamento não é teórico.
Ele é operacional, aplicado e direcionado para as rotinas reais.
1. O que muda para as equipes em 2026 (e por que isso exige treinamento imediato)
As equipes não estão acostumadas a:
- olhar dois códigos fiscais para a mesma operação;
- validar destaque mesmo sem rejeição;
- interpretar campos documentais novos;
- entender que destaque ≠ recolhimento;
- identificar se o fornecedor está operando com as regras corretas;
- diferenciar benefício fiscal atual x benefício do IBS/CBS;
- perceber impacto na base de cálculo do ICMS/ISS quando existir IBS/CBS;
- navegar entre “tratamento antigo” e “tratamento novo”.
Sem treinamento, o que vai ocorrer é:
- emissão correta no papel, errada no campo;
- recebimento sem conferência adequada;
- parametrização sendo alimentada com erro;
- simulações inconsistentes;
- dados ruins entrando no RTC;
- risco fiscal plantado em 2026 e colhido em 2027.
2. A trilha de treinamento deve ser construída sobre 4 pilares (não genéricos)
Pilar 1 — Interpretação dos novos documentos fiscais
Treinar equipes para:
- identificar os novos campos do IBS/CBS/IS,
- validar campos que não bloqueiam emissão, mas exigem conformidade,
- interpretar diferença entre destaque obrigatório e não obrigatório,
- reconhecer operações híbridas (produto/serviço),
- identificar divergência entre código novo e código atual.
Exemplo real que exige treinamento:
Funcionário vê CST antigo como “0 – tributado” e aplica automaticamente, ignorando CST IBS/CBS que deveria ser diferenciado.
Pilar 2 — Rotinas críticas da área (por função)
Treinamento não pode ser genérico.
Cada área precisa entender sua parte da equação.
Fiscal
- como conferir documento emitido sob 2 sistemas;
- quando devolver NF mesmo sem rejeição;
- impacto de CST IBS/CBS no cClasTrib;
- leitura cruzada entre CFOP x classificação de serviço (NBS);
- reflexos no RTC.
Compras
- negociação com preço líquido + tributos;
- como validar a nota do fornecedor;
- quando exigir reemissão em 2026;
- impacto da retirada de benefícios federais.
Vendas/Faturamento
- emissão correta com códigos duplos;
- operações críticas: remessas, retornos, serviços mistos;
- coerência entre contrato, pedido e NF.
Financeiro
- interpretação da dispensa de recolhimento;
- impacto no fluxo de caixa e nas compensações;
- identificação de créditos que não existirão mais.
TI
- como parametrizar códigos novos e antigos;
- como validar divergências geradas pela operação;
- como registrar erros silenciosos para ajuste sistêmico.
Pilar 3 — Operações críticas que exigem treinamento imediato
Existem operações que sempre dão erro, inclusive em empresas maduras.
No ano-teste, elas podem gerar distorções graves.
O treinamento deve abordar:
- remessa para industrialização,
- bonificação com e sem preço,
- marketplaces (serviço + circulação),
- dropshipping,
- consignação,
- locações de bens e direitos,
- operações mistas de produto + serviço.
Essas operações terão comportamento distinto nos dois sistemas.
Se a equipe não entender qual lógica usar, o ERP não salvará.
Pilar 4 — Construção de diagnóstico interno a partir do treinamento
Após cada módulo, as equipes precisam entregar:
- lista de pontos de dúvida,
- operações que precisam de revisão,
- regras de tributação que não estão claras,
- comportamentos que precisam de ajuste.
O treinamento vira insumo real para melhorar processos e parametrizações — não só “palestra”.
3. Exemplos de situações do dia a dia que exigem treinamento
- Faturamento emite remessa com CFOP antigo, mas CST IBS/CBS incompatível.
- Compras aceita NF de fornecedor com NCM errado, que alimenta parametrização futura.
- Financeiro interpreta destaque IBS/CBS como recolhimento.
- TI ajusta regra com base em nota mal emitida e contamina o ERP.
- Fiscal não exige correção porque “o sistema aceitou”.
Tudo isso é resolvido com treinamento direcionado.
4. Resultado esperado da Ação 11
Após implementar a trilha, a empresa terá:
- equipes capazes de operar os dois sistemas com segurança;
- redução drástica de erros por hábito;
- maior qualidade documental para alimentar o RTC;
- parametrizações calibradas com base em dados reais;
- menor retrabalho na virada para 2027;
- domínio sobre as próprias operações — não dependência cega do ERP.
A Reforma Tributária não será vencida por quem sabe a lei.
Será vencida por quem consegue operar a lei, todos os dias, de forma consistente.
E operação depende de treinamento.
Treinamento depende de método.
E método depende de começar antes que o caos comece por você.


