Depois de organizar operações, contratos, exceções, dados e arquivos, chega o momento em que a empresa precisa olhar para tudo isso em conjunto.
A Ação 29 não é sobre cálculo de imposto nem sobre estimar carga tributária futura. Ela é sobre algo mais simples e mais estratégico: comparar como a mesma operação está sendo lida pelo sistema atual e pelo novo sistema durante o ano-teste.
1. Por que a simulação comparativa é essencial em 2026
O maior risco do ano-teste não é errar uma vez.
É errar sempre do mesmo jeito sem perceber.
Sem uma rotina de comparação:
- inconsistências passam despercebidas,
- exceções viram padrão,
- o sistema “aprende” com dados distorcidos,
- e a empresa só descobre o problema quando o impacto financeiro já existe.
A Ação 29 cria um mecanismo de leitura crítica do que está sendo produzido em 2026.
2. O que é a simulação comparativa (e o que ela não é)
A simulação comparativa:
- não é projeção de alíquota futura,
- não é estudo de impacto financeiro definitivo,
- não é reprocessar toda a base de dados.
Ela é uma análise pontual e recorrente, focada em entender: como a mesma operação aparece no sistema atual e como ela está sendo refletida no novo modelo (IBS/CBS).
3. Quais operações devem entrar na simulação
A empresa não precisa simular tudo.
A Ação 29 pede foco em operações representativas e sensíveis, como:
- vendas recorrentes,
- serviços relevantes,
- operações interestaduais,
- operações com benefícios fiscais,
- devoluções,
- operações não padrão,
- serviços complexos,
- operações intragrupo.
Poucas operações bem escolhidas já revelam muito.
4. O que comparar, na prática
Na rotina de simulação, a empresa deve observar, por exemplo:
- descrição da operação no documento fiscal,
- classificação adotada (produto, serviço, exceção),
- tratamento no sistema atual (ICMS, ISS, PIS, COFINS, IPI),
- leitura no novo sistema (IBS, CBS, IS),
- coerência entre base, natureza e destino,
- consistência entre documentos semelhantes.
O objetivo não é validar valor, mas validar lógica
5. Periodicidade e método
A Ação 29 funciona melhor quando:
- é feita mensalmente ou quinzenalmente,
- envolve fiscal, contábil e, quando necessário, TI,
- gera registro simples do que foi observado,
- alimenta ajustes pontuais no processo.
Sem rotina, vira evento isolado.
Com rotina, vira aprendizado.
6. Relação direta com o ano-teste
A simulação comparativa:
- revela erros silenciosos,
- valida decisões tomadas nas ações anteriores,
- testa a convivência dos sistemas,
- melhora a qualidade dos dados,
- prepara a empresa para decisões de 2027.
Ela é o termômetro do ano-teste.
Objetivo real da Ação 29
A Ação 29 existe para:
- evitar que o ano-teste seja “automático”,
- transformar dados em informação,
- identificar padrões errados cedo,
- corrigir antes que vire custo,
- dar segurança à transição.
Resultado esperado
Ao final da Ação 29, a empresa deve ter:
- clareza sobre como suas operações estão sendo lidas,
- lista objetiva de ajustes necessários,
- histórico de inconsistências,
- dados mais confiáveis,
- base sólida para o relatório de janeiro.
O ano-teste não serve para ver se o sistema funciona.
Ele serve para ver como a empresa está sendo lida pelo sistema.
Comparar agora é corrigir com tempo.


