Depois de 30 dias de ações práticas, a maior armadilha é achar que o trabalho termina aqui.
Na verdade, ele começa agora.
A Ação 30 existe para garantir que tudo o que foi feito ao longo do mês não se perca, não vire conhecimento disperso e não dependa da memória das pessoas.
Ela é o momento de consolidar os ajustes do ano-teste e transformar preparação em governança.
1. Por que consolidar é tão importante quanto executar
Ao longo das ações, a empresa:
- mapeou operações,
- revisou cadastros,
- ajustou fluxos documentais,
- identificou exceções,
- organizou contratos,
- testou serviços complexos,
- avaliou destino do IBS,
- estruturou arquivos e dados.
Se isso não for consolidado:
- os mesmos erros reaparecem,
- decisões são tomadas novamente do zero,
- o sistema “aprende errado”,
- e 2026 vira apenas um ano confuso, não um ano de transição.
2. O que é o Relatório de Janeiro
Não é um relatório para o fisco.
É um documento interno de governança da Reforma Tributária.
Ele serve para registrar, de forma objetiva:
- o que foi ajustado,
- o que ainda está pendente,
- onde estão os principais riscos,
- o que precisa de acompanhamento contínuo,
- o que ficará para decisão estrutural em 2027.
3. O que o Relatório de Janeiro deve conter
No mínimo, ele deve consolidar:
- Mapa das operações relevantes
(venda, serviços, exceções, intragrupo, operações não padrão) - Principais ajustes feitos em 2026
(cadastros, documentos, fluxos, contratos) - Lista de inconsistências recorrentes
(o que apareceu mais de uma vez no ano-teste) - Exceções mapeadas e tratadas
(e quem decide sobre elas) - Pontos críticos para acompanhamento contínuo
(serviços complexos, destino do IBS, NFS-e, devoluções, regimes) - Temas que exigirão decisão estrutural em 2027
(modelo de operação, revisão contratual ampla, tecnologia, precificação)
Não precisa ser longo. Precisa ser claro.
4. A diferença entre empresa preparada e empresa reativa
Empresa preparada:
- tem histórico das decisões,
- sabe por que adotou determinado fluxo,
- consegue explicar inconsistências,
- ajusta com método.
Empresa reativa:
- resolve problema quando aparece,
- não sabe por que algo foi feito,
- depende de pessoas específicas,
- corrige sob pressão.
A Ação 30 define de que lado a empresa vai ficar.
5. Conexão com o restante de 2026
O Relatório de Janeiro não encerra a Reforma.
Ele organiza o acompanhamento.
Ele vira base para:
- reuniões mensais de acompanhamento,
- ajustes pontuais no ERP,
- revisão de contratos ao longo do ano,
- diálogo com contabilidade, jurídico e TI,
- preparação consciente para 2027.
Objetivo real da Ação 30
A Ação 30 existe para:
- fechar o ciclo das ações,
- transformar execução em método,
- garantir aprendizado real do ano-teste,
- dar previsibilidade à transição,
- evitar improviso no futuro.
Resultado esperado
Ao final da Ação 30, a empresa deve ter:
- visão clara do estágio de preparação,
- prioridades bem definidas,
- riscos mapeados,
- decisões registradas,
- base sólida para 2026 e 2027.
A Reforma Tributária não é um evento. É um processo.
Quem fecha 2025 com organização entra em 2026 com controle.
E quem entra em 2026 com controle não é surpreendido em 2027.


