Meta, reforma tributária e o mercado que está começando a entender o que está por vir (e talvez aproveite disso também)

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A Meta anunciou que, a partir de 2026, vai destacar CBS e IBS nas notas fiscais e começar a repassar aos clientes o custo dos tributos indiretos que sempre absorveu: PIS, Cofins e ISS. O resultado? Um reajuste de cerca de 12,15% no valor dos anúncios. Isso significa que o tráfego pago vai ficar mais caro.

Na prática, esse movimento já antecipa o que muita empresa vai precisar fazer nos próximos meses — ou vai querer fazer, aproveitando o momento.

E é aqui que a pergunta começa a incomodar:
Esse reajuste era mesmo necessário?
Ou será que a reforma veio a calhar para corrigir uma conta que já não fechava faz tempo?

Tributo “pra fora” do preço: o que muda, de fato?

Durante muito tempo, muitas empresas — especialmente no setor de serviços — absorveram tributos na margem, sem destacar valores na nota fiscal nem deixar evidente o peso dos impostos para o cliente. Isso tende a mudar com a reforma tributária.

A partir de 2026, entram em vigor a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal), que trarão regras de não cumulatividade ampla e exigirão o destaque obrigatório dos tributos nas notas fiscais.
Essa transição começa com uma fase de testes, em que alíquotas simbólicas de 0,9% (CBS) e 0,1% (IBS) serão informadas apenas para adaptação dos sistemas — sem impacto financeiro para o cliente nesse primeiro momento.

Mas a Meta já anunciou duas medidas importantes para 2026:

  1. Vai cumprir essa obrigação de destacar CBS e IBS na nota, mesmo sem repasse imediato;
  2. E, principalmente, vai deixar de absorver os tributos indiretos atuais (PIS/Cofins e ISS), passando a repassá-los ao cliente, o que deve gerar um aumento de cerca de 12,15% nas faturas.

Ou seja, mesmo antes da reforma gerar impacto financeiro real, o mercado já está se ajustando — e usando esse momento de transição para repensar estrutura de preços, margem e posicionamento.

Nem toda mudança é técnica. Algumas são estratégicas. E isso é bom.

Há quem veja com desconfiança qualquer movimento de aumento de preço em períodos de transição. Mas, nesse caso, vale uma outra reflexão:

Se a reforma vai mudar tudo — por que não aproveitar para ajustar o que precisa ser ajustado?

Sim, a reforma exige mudança de sistemas, processos, formação de times, revisão de cadastros, regras de crédito. Isso tem um custo.
Então faz sentido que as empresas aproveitem esse esforço para revisar o modelo de negócio como um todo:

  • A precificação faz sentido?
  • A margem está adequada?
  • A estrutura está funcionando?

Não é errado revisar o preço agora — desde que isso esteja baseado em dados. E a melhor forma de fazer isso é com um mapeamento estruturado dos impactos da reforma.

É aqui que entra o mapeamento — e ele muda o jogo

O mapeamento tributário — técnico, sim, mas também estratégico — é o ponto de partida para entender:

  • Onde a carga tributária vai aumentar ou reduzir;
  • Onde há risco ou oportunidade de crédito;
  • E, principalmente, onde o negócio precisa se adaptar para continuar saudável no novo cenário.

Com isso em mãos, as decisões deixam de ser intuitivas e passam a ser conscientes.
Se for o caso de ajustar o preço, que seja com fundamento.
Se for o caso de revisar processo, que seja com propósito.
E se a empresa identificar ineficiências, que use esse momento de transição para resolver.

Já que a implementação da reforma tem custo, que esse custo traga também ganho de eficiência.

O setor de serviços vai sentir. Mas pode sair melhor.

É fato: o setor de serviços tende a ser mais impactado pela nova estrutura. Vai pagar mais em muitos casos. Mas isso também pode ser o gatilho para buscar um novo nível de controle, de gestão tributária e de planejamento.

É o momento ideal para:

  • Investir em estrutura fiscal mais robusta;
  • Aproveitar os créditos de forma inteligente;
  • Integrar financeiro, fiscal e precificação.

Essa transição pode ser difícil — ou pode ser transformadora. Depende da abordagem.

A reforma pode ser só um ajuste — ou pode ser um ponto de virada

O mercado está se mexendo. A Meta é só o primeiro sinal visível disso. Outros virão.

A reforma vai, sim, transformar o sistema tributário.
Mas também vai revelar muito sobre como as empresas lidam com custo, margem e preço.

Quem encarar essa transição como uma oportunidade de evolução, sai mais forte.
Porque a reforma muda os tributos — mas pode mudar a empresa também.

Nossa equipe está pronta para ajudá-lo a navegar pelas mudanças complexas da Reforma Tributárias e garantir que sua empresa não apenas sobreviva, mas prospere nesse novo cenário tributário.

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Bruna Kanning

Advogada e consultora tributária com MBA em Gestão Tributária. Acompanha de perto todas as mudanças que a reforma tributária irá trazer para o Brasil.

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