ROAD MAP DA REFORMA TRIBUTÁRIA | PARTE 02

Compartilhe:

WhatsApp
Telegram
Facebook
LinkedIn
Email

O fornecedor como elo fraco da cadeia e o novo papel do comprador na geração de créditos

A reforma tributária brasileira é muito mais do que uma reestruturação normativa. Ela inaugura uma nova lógica de funcionamento da cadeia de valor, transferindo responsabilidades e riscos que, até então, estavam ocultos ou diluídos no sistema fragmentado de tributos indiretos.

Um dos movimentos mais significativos desse novo desenho é a forma como a legislação passará a tratar o crédito tributário do IBS e da CBS nas aquisições de bens e serviços. Essa mudança nos obriga a fazer uma pergunta até então negligenciada na maioria dos planejamentos fiscais:
“Quem é o meu fornecedor?”

E mais do que isso:
“Quão dependente eu sou dele?”

O crédito que depende do outro

No modelo atual, empresas do Lucro Real podem adquirir bens e serviços de fornecedores no Simples Nacional ou no Lucro Presumido e, mesmo assim, tomar crédito integral de PIS e COFINS. O sistema, apesar de imperfeito, permitia certa previsibilidade: o crédito estava garantido, mesmo que o fornecedor não recolhesse os tributos nas mesmas condições.

A partir de 2027, com a implementação do IBS e da CBS, isso muda. O crédito do adquirente deixará de ser presumido e passará a ser limitado ao valor efetivamente pago na etapa anterior, conforme regras estabelecidas pela Lei Complementar nº 214/2025.

Ou seja, o crédito tributário passa a depender diretamente da estrutura fiscal do fornecedor.

Se ele estiver no Simples Nacional, haverá crédito — mas proporcional ao que ele efetivamente recolhe de IBS e CBS dentro da alíquota unificada. O mesmo ocorre com fornecedores do Lucro Presumido, que passarão a recolher a CBS no regime não cumulativo.
O impacto para o adquirente será significativo: os valores de crédito disponíveis serão, na prática, menores.

A cadeia de suprimentos exposta: o fornecedor como elo frágil

Essa mudança de lógica fiscal transforma o fornecedor, especialmente os de pequeno e médio porte, no elo mais vulnerável da cadeia de crédito tributário.

O que antes era um risco isolado — eventual inadimplência, ruptura no fornecimento, atraso logístico — agora se soma a um novo risco sistêmico: a perda de eficiência tributária por falhas na estrutura fiscal do fornecedor.

Mais do que avaliar a capacidade técnica ou a qualidade do produto, será essencial analisar:

  • Se o fornecedor possui estrutura fiscal compatível com o novo regime;
  • Se ele é capaz de emitir corretamente os documentos fiscais exigidos;
  • Se realiza recolhimentos regulares de IBS e CBS em valor compatível com a operação;
  • E, principalmente, se a empresa compradora depende exclusivamente dele, ou se possui alternativas já estruturadas.

Essa análise precisa deixar o campo jurídico e ingressar nas discussões estratégicas de suprimentos.
É preciso saber o quanto a operação está refém de um fornecedor que, sob a nova ótica tributária, pode não ser mais viável.

A transição exige um papel formador por parte do comprador

O desafio se torna ainda mais sensível quando se constata que grande parte da base de fornecedores no Brasil é composta por empresas de pequeno porte. Essas empresas dificilmente estão preparadas, por conta própria, para absorver as mudanças que a reforma impõe: novas regras de apuração, obrigações acessórias mais sofisticadas, exigência de documentação digital completa e regras específicas de segregação de créditos.

Para empresas médias e grandes, especialmente as que operam em setores com cadeia longa e pulverizada, não haverá escolha: será necessário assumir um papel de educador e articulador da maturidade fiscal da cadeia.

Esse papel pode assumir diversas formas:

  • Produção e compartilhamento de materiais explicativos, com foco prático e linguagem acessível;
  • Realização de treinamentos para fornecedores, internos ou em parcerias com entidades de classe;
  • Inclusão de critérios de maturidade fiscal em processos de qualificação e contratação;
  • Criação de programas de orientação continuada, especialmente durante o período de transição entre os regimes.

Mais do que uma questão de compliance, trata-se de uma ação estratégica de preservação da competitividade.
Empresas que anteciparem esse movimento reduzirão sua exposição a glosas, litígios e ineficiência fiscal no novo sistema.

O risco da omissão e o custo da dependência

Ignorar esse processo e manter relações com fornecedores que não compreendem ou não conseguem se adaptar ao novo modelo de apuração é assumir um risco silencioso. O crédito que hoje está assegurado, amanhã poderá ser indeferido, questionado ou, simplesmente, inexistente.

Em muitos setores, a transição exigirá uma reorganização completa da estrutura de compras. Cadeias altamente dependentes de micro e pequenas empresas precisarão se adaptar — não para excluir os menores, mas para integrá-los à nova realidade com responsabilidade técnica e apoio contínuo.

A pergunta que se impõe é: essa dependência é administrável?

Caso contrário, o custo da inação será absorvido diretamente pela margem da operação.

Road Map em construção: as perguntas que precisam ser feitas agora

A reforma já está em andamento. A transição se intensifica em 2026 e a nova lógica entra em vigor plena em 2027.
O tempo para planejar, adaptar e reestruturar é curto — e a complexidade, alta.

Para que a área tributária esteja pronta para esse novo ciclo, algumas perguntas precisam ser respondidas com urgência:

  • Qual é o nível de dependência atual da minha empresa em relação a fornecedores do Simples Nacional e do Lucro Presumido?
  • Quanto das minhas aquisições hoje geram créditos presumidos que serão reduzidos ou eliminados com a reforma?
  • Meus fornecedores estão cientes da mudança? Têm estrutura técnica e fiscal para se adaptar?
  • Tenho mecanismos para avaliar a maturidade fiscal da minha base de fornecimento?
  • Estou preparado para exercer o papel de orientador e articulador junto aos fornecedores que permanecerão críticos na minha operação?
  • Minhas equipes de suprimentos, compras e fiscal estão alinhadas sobre o impacto tributário da cadeia de fornecimento?
  • Já estou revisando cláusulas contratuais para mitigar riscos e garantir a apropriação de créditos no novo modelo?

Responder a essas perguntas não é uma formalidade. É o início de um plano de ação responsável, necessário e estratégico.

A reforma tributária não exige apenas adaptação.
Ela exige liderança.

Participe da nossa Imersão sobre Reforma Tributária

No dia 19 de setembro, das 8h às 12h, conduziremos uma imersão prática e estratégica sobre a Reforma Tributária — com foco nos impactos diretos para empresas que já estão se preparando para o novo sistema.

Vamos tratar, com profundidade e aplicabilidade, temas como a nova lógica de créditos tributários, o papel dos fornecedores na eficiência fiscal, a adaptação da cadeia de suprimentos, regimes específicos, e os desafios da transição até 2033.

Será uma manhã de conteúdo sólido, análise de cenários e troca qualificada, construída para quem precisa tomar decisões com segurança — e com base técnica real.

Se você atua com gestão fiscal, planejamento tributário, compras, suprimentos ou governança corporativa, este encontro é para você.

Garanta sua participação.
Mais informações e inscrições: https://reformatributaria360.com.br/imersao-reforma-tributaria/

Nossa equipe está pronta para ajudá-lo a navegar pelas mudanças complexas da Reforma Tributárias e garantir que sua empresa não apenas sobreviva, mas prospere nesse novo cenário tributário.

Se você tem interesse pelo tema, acompanha nossos conteúdos, convido você a conhecer a nossa Newsletter.

Conheça nossa Consultoria empresarial com foco em estratégias de crescimento, eficiência operacional e gestão de riscos. Trabalhamos lado a lado com nossos clientes para identificar oportunidades e implementar soluções que gerem valor sustentável.

Compartilhe:

WhatsApp
Telegram
Facebook
LinkedIn
Email

Bruna Kanning

Advogada e consultora tributária com MBA em Gestão Tributária. Acompanha de perto todas as mudanças que a reforma tributária irá trazer para o Brasil.

Artigos Relacionados

Principais Tópicos

Fale conosco

Entre em contato com a equipe do Reforma Tributária 360°e conheça as nossas soluções em Consultoria Tributária. Insira suas informações.

☑ Ao inserir o seu email, você concorda com as nossas Políticas de Privacidade e Termos de Uso.

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors