Dia 12 — Matriz de Responsabilidade (RACI Fiscal) na Reforma Tributária: quem responde por cada decisão no ano-teste

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Na prática, muitos erros tributários não acontecem por desconhecimento da lei ou falha de sistema.
Eles acontecem porque ninguém sabe exatamente quem era o responsável.

Em 2026, com a convivência entre dois sistemas tributários, ausência de rejeição automática e aumento do cruzamento de dados, isso deixa de ser um problema organizacional e passa a ser risco fiscal real.

A Ação 12 trata da criação de uma matriz de responsabilidade (RACI fiscal) específica para o ano-teste da Reforma Tributária.

Não é um organograma.
Não é burocracia.
É clareza operacional.

1. Por que a RACI fiscal se torna essencial em 2026

No modelo atual, ainda é comum ouvir:

  • “Achei que o fiscal fosse conferir”
  • “Compras fechou assim”
  • “O sistema puxou automático”
  • “O fornecedor sempre emitiu desse jeito”

Em 2026, essas respostas não sustentam defesa administrativa nem explicam inconsistência no RTC.

A Reforma exige que a empresa saiba responder, com clareza:

  • quem decidiu,
  • quem executou,
  • quem validou,
  • quem deveria ter sido consultado.

2. O que é uma matriz RACI fiscal (em linguagem prática)

RACI significa:

  • R – Responsible: quem executa
  • A – Accountable: quem responde pelo resultado
  • C – Consulted: quem deve ser consultado antes
  • I – Informed: quem precisa ser informado

Aplicada ao fiscal, a RACI define quem é responsável por cada etapa da operação tributária, do pedido à apuração.

3. Onde a falta de RACI mais gera erro no ano-teste

No contexto da Reforma, os pontos mais críticos são:

  • definição de CFOP, NCM e NBS
  • escolha de CST atual e CST IBS/CBS
  • aplicação (ou não) de benefício fiscal
  • destaque de IBS e CBS
  • devolução ou aceitação de nota incorreta
  • ajuste de parametrização no ERP
  • validação de contratos com reflexo fiscal

Sem RACI, esses pontos ficam “no meio do caminho”.

4. Exemplo prático de RACI fiscal (ano-teste)

Recebimento de NF de fornecedor

  • R (executa): Fiscal operacional
  • A (responde): Coordenação fiscal
  • C (consulta): Compras (natureza da operação)
  • I (informa): Financeiro e TI

Negociação de preço com impacto tributário

  • R: Compras
  • A: Diretoria / Gestão
  • C: Fiscal
  • I: Financeiro

Parametrização de CST IBS/CBS no ERP

  • R: TI
  • A: Fiscal
  • C: Consultoria / jurídico tributário
  • I: Financeiro

5. Pequenas empresas também precisam de RACI (mesmo com poucas pessoas)

Em empresas menores, a RACI não significa mais cargos — significa clareza de papel, mesmo quando a mesma pessoa acumula funções.

Exemplo:

  • a mesma pessoa pode ser R e A,
  • mas precisa saber quando está atuando como fiscal e quando como compras.

Isso evita erro automático e decisão sem critério.

6. Como montar a RACI fiscal de forma simples

A Ação 12 pode ser feita em uma única tabela, com colunas como:

  • processo / etapa
  • R
  • A
  • C
  • I

Comece pelos processos críticos já identificados nas ações anteriores:

  • emissão,
  • recebimento,
  • devolução,
  • parametrização,
  • aplicação de benefícios,
  • operações complexas.

7. Conexão direta com as Ações 9, 10 e 11

  • Ação 9 → integração entre áreas
  • Ação 10 → controle de erros silenciosos
  • Ação 11 → treinamento das equipes

A RACI fiscal amarra tudo isso e transforma integração em responsabilidade objetiva.

Objetivo real da Ação 12

A Ação 12 existe para:

  • eliminar zonas cinzentas de responsabilidade,
  • reduzir erro operacional repetido,
  • facilitar correção rápida em 2026,
  • dar segurança jurídica às decisões,
  • preparar a empresa para fiscalização futura.

Resultado esperado da Ação 12

Ao final dessa etapa, a empresa deve ter:

  • clareza sobre quem responde por cada decisão fiscal,
  • menos conflitos entre áreas,
  • rastreabilidade das decisões,
  • processos mais previsíveis,
  • base organizacional sólida para 2027.

Na Reforma Tributária, erro sem responsável vira risco sem defesa.

A matriz RACI fiscal não é um luxo de governança.
É um instrumento mínimo de sobrevivência no ano-teste.

Nossa equipe está pronta para ajudá-lo a navegar pelas mudanças complexas da Reforma Tributárias e garantir que sua empresa não apenas sobreviva, mas prospere nesse novo cenário tributário.

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Bruna Kanning

Advogada e consultora tributária com MBA em Gestão Tributária. Acompanha de perto todas as mudanças que a reforma tributária irá trazer para o Brasil.

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