Dia 3 — Criar o Fluxo Mínimo de Conferência de Documentos Fiscais para 2026
O ano-teste da Reforma Tributária traz um desafio inédito: conviver, ao mesmo tempo, com o sistema atual (ICMS, PIS, Cofins, ISS, IPI) e com o sistema novo (IBS, CBS e IS).
Isso exige das empresas um fluxo estruturado de conferência (mesmo que mínimo) para garantir que o teste seja válido.
A Ação 3 da nossa série aborda exatamente isso:
📌 Criar o fluxo mínimo de conferência dos documentos fiscais.
Por que isso é essencial para 2026?
Porque a Nota Técnica recente já sinalizou que não haverá rejeições automáticas dos novos documentos no início de janeiro.
Ou seja:
- documentos incorretos vão entrar,
- operações inconsistentes vão seguir o fluxo,
- erros não vão ser barrados pelo sistema.
E como ainda teremos CFOP até 2032, convivendo com novos códigos e lógicas documentais, a chance de erro duplicado é grande.
Sem um fluxo mínimo, a empresa passa o ano-teste inteiro acumulando problemas sem perceber.
O que deve fazer parte desse fluxo mínimo?
1. Conferência das regras do sistema atual (convivência obrigatória)
As emissões e recepções continuarão exigindo atenção aos tributos tradicionalmente conhecidos:
- ICMS
- PIS
- Cofins
- ISS
- IPI
A CFOP permanece determinante na lógica da operação até 2032, e deve ser conferida com base na operação real, evitando classificações mecânicas.
Além disso, é preciso validar:
- CST/CSOSN,
- CFOP utilizado,
- enquadramento do ISS,
- base de cálculo atual,
- se a operação utiliza corretamente benefícios fiscais vigentes (créditos presumidos, reduções, isenções, diferimentos etc.).
2. Conferência das regras do sistema novo
A empresa precisará validar simultaneamente:
- IBS
- CBS
- IS (Imposto Seletivo)
- códigos novos do documento (CST e cClassTrib)
- campos obrigatórios do ano-teste
- se a classificação do item (NCM/NBS) condiz com o comportamento esperado no novo modelo
- se há benefícios fiscais específicos aplicáveis nesses tributos (suspensões, reduções, regimes específicos)
Mesmo que não haja recolhimento obrigatório em 2026 (desde que cumpridas as obrigações acessórias), o documento deve nascer certo.
3. Rotina prática de conferência
Checklist rápido, porém estruturado:
✔ dados essenciais do emitente e destinatário
✔ CFOP (atual) vs. CST e cClasstrib do IBS e CBS
✔ NCM/NBS
✔ descrição e unidade dos itens
✔ valores, tributos e campos obrigatórios
✔ uso correto de benefícios fiscais nos dois sistemas
✔ coerência entre operação e documento
✔ registro das inconsistências em rotina diária/semanal
A lógica da Ação 3
É importante deixar absolutamente claro: 2026 não é um ano simbólico. Não é opcional. Não é só um período de aprendizado.
O ano-teste tem base legal, responsabilidades específicas e pode gerar penalidades caso a empresa não cumpra as obrigações acessórias previstas na LC 214/2025.
Por isso, criar um fluxo mínimo de conferência não é uma melhoria opcional, é uma exigência de conformidade.
Ele é o que vai permitir:
- ajustar o ERP na prática, com base no comportamento real dos documentos;
- garantir que CFOP (que permanece até 2032) esteja alinhado com a operação real;
- verificar se NCM e NBS estão sendo interpretados corretamente nos dois sistemas;
- controlar o uso de benefícios fiscais tanto no modelo atual quanto no novo;
- validar a leitura do IBS, CBS e IS pelo sistema, identificando falhas de parametrização;
- evitar que documentos incorretos sejam aceitos como válidos por falta de rejeição automática;
- proteger a empresa de inconsistências que podem gerar divergências e riscos futuros.
Em outras palavras: o fluxo mínimo é o que separa uma empresa que “sobrevive” ao ano-teste de uma empresa que entra em 2027 preparada, segura e tecnicamente alinhada ao novo modelo tributário brasileiro.
E é exatamente por isso que a série “30 Dias para o Ano-Teste” existe: para entregar, dia após dia, ações práticas que constroem não apenas conhecimento, mas bases de conformidade, segurança jurídica e operacionalidade real para atravessar 2026 do jeito correto.
Amanhã, seguimos com a Ação 4, onde vamos revisar o mapeamento das operações com foco exclusivo no cenário de convivência dos dois sistemas, evitando retrabalhos e equívocos comuns.


